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Mudanças de comportamento podem combater aquecimento global

Fonte: Terra - 06.08.2009

Brasil - Para a redução da emissão de gases poluentes na atmosfera, principalmente o dióxido de carbono (CO2), responsável pelo aquecimento do planeta, os participantes da State of the World Forum/Brasil 2020, conferência mundial que acontece até esta sexta-feira, dia 7 de agosto, em Belo Horizonte (MG), defendem a participação ativa de toda a população mundial.

Os mais de 150 cientistas de várias nacionalidades que se reúnem na capital mineira indicam sete diferentes ações para orientar as discussões sobre estratégias contra o aquecimento global até o ano de 2020. Pequenas atitudes e mudanças de comportamento em casa, no trabalho ou nos deslocamentos podem fazer a diferença para que as próximas décadas não sejam o fim da civilização.

Para que os limites desejáveis de redução dos gases sejam atingidos em 11 anos, e não em quatro décadas, como estabelecido por alguns países, os cientistas defendem a redução imediata da dependência em combustíveis fósseis, como o petróleo e seus derivados, que está em cerca de 80% das atividades econômicas.

"A simples troca das lâmpadas incandescentes por fluorescentes, ou até mesmo as que utilizam os leds (luminosos) contribuem para a redução em torno de 90% do consumo de energia. Se forem utilizados sensores luminosos que desligam quando as pessoas saem, melhor ainda.

A conscientização deve partir não só dos governos, mas da população e das empresas. Se tomássemos estas atitudes, já seriam 750 indústrias termelétricas a menos no mundo," garante Lester Brown, presidente do Earth Policy Institute, um dos palestrantes da conferência Brasil 2020.

"Como nós podemos estabilizar o clima e colocar um freio na destruição. Só diminuir a emissão de gás carbônico e os níveis de CO2 na atmosfera. É o que vai ser necessário para que tenhamos uma chance," diz Brown.

Uma das formas de acelerar a redução de poluentes é produção, parte da indústria, de veículos híbridos (que utilizam mais de um combustível) e elétricos, menos poluentes e mais potentes. Além da implantação e expansão do sistema ferroviário, abandonado em muitos países. "O trem-bala japonês é o modelo que todo o mundo deveria adotar," afirma Lester Brown.

E mais: os governos e a iniciativa privada deveriam investir em energias renováveis, como eólica, solar e outras fontes alternativas ao petróleo. Além disso, os especialistas pregam a economia de energia como uma forma eficaz de diminuir o aquecimento global. De acordo com estudos apresentados durante a conferência, a maioria das casas e escritórios desperdiça cerca de 50% da energia consumida por que não são projetados para conservar energia.

Os especialistas defendem atitudes simples, como trocar lâmpadas incandescentes por fluorescentes, desplugar aparelhos da tomada quando não estão em uso e comprar eletrodomésticos que consumam menos para frear o aquecimento global. Apenas com medidas de conservação de energia, estima-se que se possa diminuir a projeção de aumento da demanda por energia de 30% para 6% em 2020.

A conferência Brasil 2020 também prega o fim, ou pelo menos a redução, de atos cotidianos das pessoas. Deixar de usar o carro para ir ao trabalho e parar de comer carne bovina, por exemplo, são duas das medidas que segundo os especialistas, contribuiriam para diminuir o aquecimento global. A diretora e coordenadora do State of the World Forum/Brasil 2020, Emília Queiroga Barros, explica que há pesquisas que indicam ser o rebanho bovino responsável pela emissão de 18% do dióxido de carbono emitido.

É opinião unânime que é necessário também frear o desmatamento. "Nos últimos 50 anos, derrubamos 50% das áreas de floresta do mundo. Em razão da captura maciça de carbono pelas florestas, a defesa desses sistemas não é apenas uma questão de proteção do meio ambiente local, mas de proteção climática global. Uma árvore tropical pode remover 50 kg de CO2 da atmosfera a cada ano," revela.

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