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A conta de energia, os porcos e o efeito estufa

* Texto de Rodrigo Regis - Jornal Gazeta do Igauçu.
Agradecimento a Mayara Eleuterio - Jornalista do CIBiogás



Aumento na conta de luz. Expansão na produção de carne bovina, suína e aves no Brasil. Crescimento no consumo de energia. Problemas ambientais e efeito estufa. O que todos esses fatores têm em comum? Muito mais que você imagina. E a partir de hoje, utilizaremos esse espaço para explicar melhor tudo isso.

Começaremos então pelas boas notícias. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimento e Agricultura), o nosso país desponta em lugares importantes do pódio da produção de proteína animal. Já somos o segundo maior produtor de gado, o terceiro maior produtor de suínos e o quarto maior produtor de aves do mundo. E o primeiro lugar também pode ser nosso. Segundo previsão, até a próxima década, o Brasil será o maior produtor de alimentos do planeta.

No mesmo ritmo de aumento da produção no agronegócio, cresce o consumo de energia elétrica e térmica (principalmente a lenha). De acordo com estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o crescimento médio anual da demanda de eletricidade será de 4,5% ao ano até 2021, passando de 472 mil gigawatts-hora (Gwh), para 736 mil Gwh.

Isso tudo, em um momento em que a oferta de energia elétrica e térmica não conseguem acompanhar o avanço de todo esse consumo. Dessa forma, empresários do agronegócio são surpreendidos por constantes interrupções no abastecimento de eletricidade e baixa qualidade da energia, além do alto preço cobrado e das tarifas adicionais.

Outro fator que cresce com o aumento da produção é a quantidade de dejetos produzidos pelos animais, que hoje representa quase cinco milhões de toneladas por dia, segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), que se não tratados de forma adequada  e responsável, podem gerar um grande passivo ambiental.

A equação passa a não mais fechar: sobram entraves e resíduos dessa produção e faltam soluções e energia. Por isso, desponta – com ainda  mais força – o biogás. Ele é uma mistura de gases, capaz de gerar eletricidade, energia térmica e biocombustível, por meio da transformação desses dejetos de animais, resíduos domésticos, agropecuários e industriais. Do resultado desse processo ainda temos mais um produto: o biofertilizante, que pode ser utilizado nas plantações.

O biogás pode exterminar – em uma só tacada – três grandes inconvenientes:  diminui os riscos de apagões na agropecuária, por apresentar uma fonte alternativa viável de energia; diminui as consequências ambientais já que retira do meio ambiente os dejetos de animais, evitando a poluição das águas e da atmosfera; e reduz custos, visto que os produtores de biogás podem receber crédito pela energia gerada, abatendo direto em sua conta de luz.


Que a implantação do biogás é vantajosa, não há como negar. Grandes saltos já foram dados nessa caminhada, mas ainda há o que evoluir. Levar essa solução ao conhecimento de muitos, desenvolver projetos focados nas características do mercado brasileiro e fomentar políticas públicas que incentivem a implantação dessa tecnologia são importantes passos dessa caminhada. Apenas o início de uma grande história.

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